domingo, 4 de setembro de 2011

Eterno 11 de setembro


Que loucura é a sensação aterrerorizante de reviver o 11 de setembro de 2001. Eu morava em São Paulo onde fazia pós-graduação, e à 13h00, voltando da aula para logo retornar depois do almoço (esse dia me dei esse luxo por conta da aulda somente às 15h00), liguei a internet quando vi as cenas apavorantes. Não sai mais de casa!
Lia a matéria na UOL que transmitia as fotos atualizando minuto a minuto. A comunicação de vídeo ainda era um tanto precária. Achei que era um acidente e os noticiários o davam como tal. "Mas que estranho um avião bater diretamente no prédio assim, no meio de uma cidade densa como Nova Iorque, onde se faz todos os procedimentos para fugir do aglomerado!".Eu divagava achando aquilo muito estranho e corri para a televisão do apezinho de Pinheiro.
Chiquinha, que já trabalha para minha tia Jozira há anos repetia: 'esse mundo tá doido... eu hein?'. Ela, talvez já tivera ouvido algo sobre atentado. 'Por que, Chica?!'. Eu perguntei já mudando freneticamente de canal. 'Dois de uma vez no mesmo lugar, filho?!... Credo!...'. Era um ataque terrorista, eu já estava certo.
já atento à chegada dos dez anos do triste evento, quando estive em Manhanttan em julho, adquiri um caneca comemorativa da Corporação de Bombeiros, fazendo a análise que sempre faço quando vou a esta cidade depois do episódio. A cidade não parece mais lembrar de nada. Sempre sinto o novaiorquino totalmente indiferente ao ocorrido.
Mas eu também faria o mesmo. Qualquer um agiria assim. Viver dentro daquele mar cinza de poeira é tão-somente reviver um passado que a cidade top não merece. Além de que o tempo faz engessar qualquer sofrimento, mas esquecer, jamais.
Talvez por isso, ali do ladinho da tragédia, uma fundação cuida de tudo relacionado ao 11 de setembro como muita atenção. Eu sou membro de uma ONG denominada WTC Visitor Center e recebo notícias semanais pelo que se tem feito pelas famílias desoladas. Nas vezes que estive lá, assisti à palestras de pessoas que participaram do trabalho de salvamento, membros do Corpo de Bombeiros e outros voluntários que trabalhavam em uma das torres ou nas proximidades.
Em uma dessas palestras que assisti, um senhor me comoveu. Falava daquele dia e como enfrentou o drama, tentando ajudar pessoas que não conseguiam se livrar das cinzas e se asfixiavam. Puxou uma senhora que vinha ao seu lado e quando percebeu só estava com o seu sapato nas mãos. Em outra palestra um médico psiquiatra tratava de como lidar com famílias que perderam entes queridos.
Soube por meio de uma das diretoras do WTC Visitor Center que milhares de pessoas estão desaparecidas ali. Talvez desapareceram integralmente no momento do acidente. Ela me disse ainda, com uma tristeza calejada na face, que seria impossível retirar os inúmeros corpos que ali foram soterrados e ressaltou algo que me apertou o estômago e fez doer as artérias do meu peito.
Me contou que no começo das construções dos novos prédios que hoje já tomam lugar na paisagem, quando do começo da construção das fundações, ainda se sentia um cheiro forte de "enxofre e carniça". Houve momentos muito difíceis para os engenheiros e construtores. Deparavam-se, não poucas vezes, com pedaços de mãos ou braços e pernas quase inteiras, em decoposição.
Ouvindo tudo isso atônito perdi da memória o nome dessa que é uma das diretoras da isntituição. Mas todos ali foram muito atenciosos comigo e sempre recebo boas informações sobre as boas ações que se tem feito para amenizar esse fato e fazer com que a cidade nunca mais viva um dia como aquele. Esta é a filosifia do instituto. Esta é a contemporânea ideologia do novaiorquino - viver e esquecer as tristezas passadas mesmo que elas tenhas mudado a paisagem e a gente dali.


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Aqui eu trago fotos de 3 anos e diante após os acontecimentos de 11 de setembro de 2001, todas de arquivo pessoal.

Retirada final dos escombros. Início da construção dos novos prédios
Destroços de um dos aviões que se chocaram com a torre. fuselagem da janela
Objetos encontrados nos destroços
Mural com vítimas desaparecidas. Até hoje parentes vão em busca

Uma das estruturas de ferro gigantes que sustentavam as torres
Vestimenta de um dos bombeiros morto na tragédia
Mensagem de um passageiro do voo 175 da United para a sua esposa por celular minutos antes do avião cair na Pensilvânia
Grades para a retirada dos inúmeros corpos do local. 
Objetos encontrados nos escombros


Vista do que hoje se chama "Marco Zero", onde se localizavam as Torres

Praça-Monumento ao "Marco Zero" ou "Zero Ground"
Vista da passarela de vidro construída para o trânsito de executivos após a tregédia. Daqui se tem uma boa vista do tamanho da vala deixada pela retirada dos destroços. Aqui eu já chorei e rezei...





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